Magalhães: A Viagem que Redefiniu o Planeta

Quando se fala em grandes exploradores marítimos, nomes como Cristóvão Colombo e Vasco da Gama surgem imediatamente. Mas há uma expedição cuja escala e impacto permanecem singulares: a de Fernão de Magalhães. Cinco séculos depois de sua grande expedição, o Musée National de la Marine, em Paris, dedica uma grande exposição a este navegador cuja vida cruzou fronteiras políticas, culturais e geográficas.
O Homem por Trás da Lenda
Fernão de Magalhães nasceu por volta de 1480, no norte de Portugal, em uma família da pequena nobreza. Ainda jovem, foi encaminhado à corte em Lisboa, onde teve acesso a conhecimentos de navegação e cosmografia que marcariam sua carreira.
Aos 25 anos, integrou expedições portuguesas à Índia, onde participou de campanhas militares e ganhou experiência prática nas rotas oceânicas do Oriente. Durante esse período, tomou contato com informações sobre as ilhas Molucas, então centro do lucrativo comércio de especiarias.
Com o tempo, sua relação com a coroa portuguesa se deteriorou. Após anos de serviço sem reconhecimento e divergências políticas, Magalhães decidiu oferecer seus conhecimentos à Espanha. Em 1517, rompeu laços com Portugal e apresentou ao rei Carlos I um projeto ambicioso.
Alcançar o Oriente pelo Ocidente
Magalhães propôs chegar às ilhas das especiarias navegando para oeste, contornando o continente americano. Com o Tratado de Tordesilhas dividindo o mundo entre Portugal e Espanha, ele acreditava que as Molucas se situavam no hemisfério espanhol, desde que alcançadas por uma rota ocidental.
Em 20 de setembro de 1519, cinco navios partiram de Sevilha: Trinidad, San Antonio, Concepción, Victoria e Santiago, com cerca de 237 homens. Iniciava-se uma jornada que mudaria o entendimento europeu sobre o tamanho e a configuração do planeta.
A expedição enfrentou desafios severos. Após cruzar o Atlântico, a frota desceu pela costa sul-americana em busca de um estreito que ligasse os oceanos. No inverno de 1520, em San Julián, Magalhães enfrentou um motim que foi contido com firmeza.
Em novembro do mesmo ano, depois de semanas navegando por canais complexos, encontraram a passagem para o Pacífico. A travessia desse novo oceano durou mais de três meses, marcada por fome, doenças e mortes.
A viagem prosseguiu até as Filipinas, onde Magalhães morreu em um confronto na ilha de Mactan, em 27 de abril de 1521. Apenas um navio, o Victoria, comandado pelo basco Juan Sebastián Elcano, completaria o retorno à Espanha em 1522, consumando a primeira circum-navegação da história.
A Exposição
De 22 de outubro de 2025 a 1º de março de 2026, o Musée National de la Marine (um dos museus de que mais gostei de visitar em Paris) apresenta Magellan, un voyage qui changea le monde, uma exposição que revisita esta jornada fundamental por meio de um percurso visual e narrativo cuidadosamente construído.
Criada em coprodução com Camera Lucida e inspirada na série animada L’Incroyable périple de Magellan, a exposição combina animação, projeções de grande formato e recursos audiovisuais. O visitante é guiado pela voz de Antonio Pigafetta, cronista da expedição, cujos relatos estruturam o percurso da mostra.
Mais de trinta módulos apresentam mapas animados, depoimentos de especialistas e reconstruções visuais das etapas da viagem. Uma das instalações recria o interior de um navio do século XVI, permitindo compreender de maneira concreta as condições de navegação da época.
As ilustrações e animações presentes ao longo do percurso seguem a estética da série documental e ajudam a visualizar rotas, embarcações, paisagens e acontecimentos sem recorrer a dramatizações excessivas. O foco é na clareza e na compreensão histórica.
A exposição também destaca os impactos da expedição: os encontros culturais, as tensões com populações locais, as perdas humanas e o papel da navegação na expansão europeia. O objetivo é apresentar o acontecimento sem idealização, integrando contexto histórico e reflexão crítica.
Informações Práticas
Período: 22 de outubro de 2025 a 1º de março de 2026
Local: Musée National de la Marine, Palais de Chaillot, 75016 Paris
Horários: 11h - 19 todos os dias, exceto terça-feira. Norturno até 22h nas quintas-feiras
Sobre o autor: Meu nome é Günther Masi Haas. Sou desenvolvedor web, e atualmente trabalho como designer multimídia na Biarritz Turismo. Apaixonado por cultura e história, escrevo sobre diversos aspectos da história da França e suas ricas tradições. Para saber mais sobre meu trabalho, siga o blog e acompanhe minhas publicações.
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