400 anos da Marinha Francesa

Tudo começa em 1626
Em outubro de 1626, o Cardeal Richelieu, ministro de Luís XIII, assina um édito em Saint-Germain-en-Laye que mudou a história da França. Ele criou a função de grand maître, chef et surintendant général de la navigation et commerce, concentrando pela primeira vez sob uma única autoridade a organização naval, o comércio marítimo e sua proteção.
Mais do que uma reforma administrativa, trata-se de uma mudança de paradigma. Até então, a França atuava no mar de forma fragmentada, mobilizando forças de maneira pontual e pouco coordenada. Com Richelieu, o mar deixa de ser um espaço secundário e passa a integrar diretamente a estratégia de poder do Estado.

Retrato pintado do Cardidal Richelieu
É o início de uma marinha permanente, estruturada e pensada como instrumento de influência militar, econômica e política.
Quatro séculos de história nos oceanos
Desde então, são quatro séculos de engajamento nos oceanos, de homens e mulheres a serviço da França e de seus interesses, e a Marinha segue sendo um pilar da defesa e da soberania do país. Nesse percurso, a Marine nationale esteve presente em alguns dos momentos mais decisivos da história ocidental: das grandes batalhas do Antigo Regime à independência dos Estados Unidos, em 1781, o almirante de Grasse venceu a Royal Navy na baía de Chesapeake, impedindo o reabastecimento britânico e precipitando a capitulação inglesa, assegurando assim a independência americana. Da era napoleônica às guerras mundiais, passando pela era dos navios a vapor e dos porta-aviões, a Marinha francesa foi se reinventando a cada época.

Pintura de um navio a vapor do século XIX
A exposição: quando arte e poder se encontram no mar
É justamente para celebrar esse percurso que o Musée national de la Marine, em Paris, apresenta La Marine et les peintres, Quatre siècles d'art et de pouvoir. A proposta é elegante: em vez de uma exposição estritamente militar ou histórica, o museu escolheu contar essa história através da pintura. Cerca de 150 obras traçam um panorama de como artistas do século XVII ao XX capturaram o mar, os navios, os portos e as batalhas navais francesas.

Interior do Musée National de la Marine
Alguns desses pintores trabalhavam a serviço do poder, glorificando a coroa ou o Estado. Outros, com o tempo, foram conquistando liberdade para experimentar e reinterpretar o imaginário marítimo à sua própria maneira, do academicismo ao impressionismo, do romantismo ao fauvismo.
Informações práticas
A exposição fica em cartaz de 13 de maio a 2 de agosto de 2026, no Palais de Chaillot, 17 Place du Trocadéro, Paris 16e. O museu abre todos os dias exceto terças-feiras, das 11h às 19h, com noturna até as 22h na primeira quinta-feira de cada mês. Em paralelo, o museu acolhe o 46º Salon de la Marine, com obras de artistas contemporâneos dedicados ao universo naval. A entrada é gratuita para menores de 26 anos residentes na União Europeia.
Sobre o autor: Meu nome é Günther Masi Haas, designer multimídia na Biarritz Turismo. No blog, escrevo sobre história da França, cultura francesa, tradições regionais e episódios históricos que ajudam a compreender a formação do país.
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